APO Educação das Emoções I: Educação das Emoções.


Os sentimentos, quando negados à consciência, distorcem a percepção e a reação às experiências que os desencadearam. Um caso específico é sentir ansiedade sem tomar conhecimento da causa. A ansiedade aparece quando uma experiência que ocorreu, se admitida na consciência, poderia ameaçar a auto-imagem. A reação inconsciente alerta o organismo para possíveis perigos e acarreta mudanças psicofisiológicas. Estas reações defensivas são uma forma do organismo manter as crenças e os comportamentos incongruentes. Uma pessoa pode agir sem tomar consciência do por quê está agindo assim. O indivíduo saudável toma consciência de suas emoções, sejam ou não expressas.

Carl Rogers, no contato com sentimentos deste tipo, e não só, desenvolve uma carreira dedicada aos estudos deles e nos deixa uma contribuição científica ao estudo e desenvolvimento de conteúdos ligados a questões típicas de emoções.

Carl Rogers foi um psicólogo americano, que atuou como psicoterapeuta por mais de 30 anos e trouxe grandes contribuições para a prática clínica e para a educação. É considerado um representante da psicologia humanista e da corrente humanista em educação. Investindo nos últimos anos de sua vida, cada vez mais, em workshops de esforço pela paz, tanto que seu nome foi indicado em 1987 para o Prêmio Nobel da Paz, Rogers toma consciência de sua falta de vocação para a carreira religiosa e transfere-se para o curso de Psicologia. Em 1928, doutora-se, e sua tese consistia na criação de um teste de personalidade para crianças. Desenvolve uma forma de psicoterapia cada vez menos diretiva, assim surge a Terapia Centrada na Pessoa. Publicou vários livros que foram apreciados tanto por profissionais como por leigos sendo através do seu primeiro lançamento, em 1939, que passa a ser conhecido como psicólogo clinico; alguns livros transformaram-se em best-seller enquanto outros rapidamente tornram-se livros de consulta obrigatória, na área.

Rogers pressupõe que o professor dirija o estudante às suas próprias experiências, para que, a partir delas, o aluno se autodirija. Fala da sensibilização, da afetividade e da motivação como fatores atuantes na construção do conhecimento. Uma das idéias mais importantes na obra dele é a de que a pessoa é capaz de controlar seu próprio desenvolvimento e de que isso ninguém pode fazer para ela. 

Uma premissa fundamental da teoria de Carl Rogers é o pressuposto de que as pessoas usam sua experiência para se definir. Teorias da personalidade e modelos de terapia, mudança da personalidade e relações interpessoais são conceitos definidos por ele. Ele é o único a questionar a validade do conhecimento objetivo, em especial na tentativa de compreender a experiência de outra pessoa. Há um campo de experiência único para cada indivíduo. Incluem eventos, percepções, sensações e impactos dos quais a pessoa não toma consciência, mas poderia tomar se focalizasse a atenção nesses estímulos.

Considera o campo de experiência limitado por restrições psicológicas e limitações biológicas. Rogers concluiu que a idéia do eu não representa uma acumulação de inumeráveis aprendizagens e condicionamentos efetuados na mesma direção, mas que é essencialmente uma gestalt cuja significação vivida é suscetível de mudar sensivelmente (e até mesmo sofrer uma reviravolta) em conseqüência da mudança de qualquer destes elementos. Ele usa o termo para se referir ao contínuo processo de reconhecimento. É esta diferença, esta ênfase na mudança e na flexibilidade, que fundamenta sua teoria e sua crença de que as pessoas são capazes de crescimento, mudança e desenvolvimento pessoal.

Para Rogers, a forma particular de distúrbio é menos crítica do que o reconhecimento de que há uma incongruência que exige uma solução. A incongruência é visível em observações, a confusão aparece quando você não é capaz de escolher dentre os diferentes estímulos aos quais se acha exposto. Sugere que em cada um de nós há um impulso inerente em direção a sermos competentes e capazes quanto o que estamos aptos a ser biologicamente. O vê como a força motivadora dominante numa pessoa que está funcionando de modo livre. É importante observar que esta tendência atual é o postulado fundamental da teoria rogeriana. Baseado em sua própria experiência clínica, Rogers conclui que os indivíduos têm a capacidade de experienciar e de se tomarem conscientes de seus desajustamentos. 

Sugere que os obstáculos aparecem na infância e que são aspectos normais do desenvolvimento. A teoria não se preocupa em saber se é uma necessidade inata ou adquirida. Embora Rogers defina a personalidade e a identidade como uma gestalt contínua, não dá ao papel do corpo uma atenção especial. Sua teoria é baseada na tomada de consciência da experiência. O valor dos relacionamentos é de interesse central nas obras de Rogers acreditando que a interação com o outro capacita um indivíduo a descobrir, encobrir, experienciar ou encontrar seu Self real de forma direta. As conclusões de Rogers sobre qualquer relação íntima em longo prazo, tal como o casamento, são focalizadas sobre quatro elementos básicos: compromisso contínuo, expressão de sentimentos, não-aceitação de papéis específicos e capacidade de compartilhar a vida íntima.

Autores de manuais de psicologia, que dedicaram espaço a Rogers, geralmente classificam-no como um teórico do Self. Rogers foi um terapeuta praticante durante toda sua carreira profissional. Sua teoria da personalidade emerge de seus métodos e idéias sobre terapia e é integrada a eles. A teoria psicoterápica de Rogers passou por diversas fases de desenvolvimento e mudanças de ênfase, e ainda assim há alguns pontos básicos que se mantiveram inalterados.






BIBLIOGRAFIA:

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