O NOME DA ROSA
O Nome da Rosa é um filme, dos anos 80 do século XX, baseado no livro do italiano Umberto Eco, dirigido por Jean Jacques Annaud com o ator Sean Connery no papel principal: William de Baskerville, monge franciscano intelectual, renascentista e humanista.
Passa-se no século XIV e mantém a idéia central do livro: a investigação de crimes num mosteiro do norte da Itália.
A idade média, época em que se passa a trama, corresponde ao término do feudalismo e a formação do capitalismo na Europa com as transformações que ocorreram na política (os reis passam a ser absolutistas), na sociedade (a burguesia destaca-se e estabelece alianças com os reis), na economia (crescimento do comércio entre países e expansão monetária), na cultura (o movimento renascentista floresce e espalha-se por toda a Europa) e mesmo na religião (quando surgem os descontentamentos que terminam na cisão da Igreja, com Martinho Lutero e a Igreja Protestante, na Alemanha e já no séc. XVI).
A influência cultural é marcante ao contrapor o teocentrismo dogmático da Igreja ao antropocentrismo resgatado da Grécia antiga.
Em 1327 o monge franciscano e o seu auxiliar, o noviço Adso den Melk, chegam ao mosteiro e começam a investigar uma morte supostamente sobrenatural. No contexto da época tudo teria de ser desvendado antes que chegasse ao conhecimento do Papa que enviaria os seus auxiliares o que não seria bom para os responsáveis do mosteiro e para a reputação da instituição. O monge e o noviço investigam todas as possibilidades e começam a pensar que o monge se suicidou, resolvendo assim o mistério, quando mais um monge é encontrado morto, tal como o primeiro, com um dedo e a língua sujos de tinta.
Continuando as buscas os dois encontram uma torre onde os livros eram escondidos e á qual poucos eram os que tinham acesso. O monge William encontra uma testemunha que ratifica a suspeita de que os jovens foram mortos por lerem um livro proibido, mas de leitura permitida por Berengário, o monge da biblioteca da torre, em troca de favores sexuais.
O livro proibido era o Poética, de Aristóteles, que trata de comédia o que era contra as idéias da Igreja que antevia a possibilidade de que os homens pudessem rir, também, de Deus e com isso provocar o caos.
A resenha acima mostra que o filme/livro é uma crítica a Igreja católica, aos crimes praticados em nome da fé e ao medo da disseminação dos conhecimentos.
A época em que se passa o filme – teocentrismo – corresponde a um período em que a contribuição para a psicologia foi nula, pois as pequenas contribuições de S. Tomás de Aquino, da época da escolástica, sobre a reflexão humana não tinham base científica; a pequena contribuição do período foi a que mostra e importância da razão e o uso do conhecimento.
Pode-se observar a existência de várias correntes de pensamento; apesar do momento histórico ser dominado pelo Teologismo Cristão, o empirismo e a filosofia grega, por serem historicamente anteriores, expressam-se também.
No filme, o monge investigador mostra que o uso da razão e da fé, ambas por ele praticadas, não são excludentes o que nem sempre a Igreja praticou haja vista ter aberto mão do conhecimento por forma a não o fazer em relação aos dogmas impedindo assim que as pessoas usassem a reflexão, o raciocínio, o racional e se mantivessem presas das idéias vigentes, impostas pela Igreja.
Chama a atenção os métodos que o monge William usa para solucionar os enigmas do mosteiro; ele elege para si o racionalismo e a lógica da filosofia grega, mas não se pode classificar o racionalismo da época medieval como verdadeiramente científico. Era a época em que uma minoria detinha o conhecimento constituindo uma elite intelectual.
O filme mostra a trama num ambiente, o início do século XIV, de oposições e inquisições, do espiritual e do material e do poder secular e da insurreição a este poder. Mostra ainda que o período medieval foi caracterizado pela supremacia de uma linha de pensamento sobre as outras; nesta orientação a Igreja Católica coercitiva e ideologicamente instaurou a dominação política, econômica e religiosa por forma a salvaguardar o teologismo cristão.


